terça-feira, 14 de abril de 2020

Pré-Modernismo






⇒PRÉ - MODERNISMO NO BRASIL
Embora não constitua uma escola literária propriamente dita, o período de transição que antecede o Modernismo brasileiro foi marcado pelo surgimento de alguns escritores que utilizaram suas obras para problematizar o Brasil. Abordaremos aqui Euclides da cunha, Lima Barreto e Monteiro Lobato, além do poeta Augusto dos Anjos.

Início: Publicação da Obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, em 1922.
Fim : Realização da Semana de Arte Moderna em 1922,evento que “inaugurou” o Modernismo no Brasil.


⇒CONTEXTO HISTÓRICO DO BRASIL

100 anos de greve geral no Brasil: dos anarquistas ao “derruba o ...

A proclamação da República em 1889 não significou, como muitos esperavam, uma mudança significativa nos rumos do país. Entre os fatos ocorridos no final do século XIX e início do XX no Brasil, destacam-se:

·         Guerra de Canudos(1896-1897): confronto na comunidade de Canudos, Bahia, entre 10 mil soldados da República e um movimento popular de fundo sociorreligioso liderado por Antônio Conselheiro, no conflito, morreram aproximadamente 25 mil pessoas.
·         Marginalização dos negros recém-libertados.

·         Substituição da mão de obra escrava pela de imigrantes europeus.

·         Afonso Pena é eleito presidente do Brasil em 1906.

·         Greves operárias em São Paulo, Recife e Rio de Janeiro.

·         Marechal Hermes da Fonseca assume, em 1910, o governo e decreta intervenção em vários estados, desencadeando uma série de conflitos da oposição.

·         Eclosão da Guerra dos contestados em 1912.Greves operárias em São Paulo.

·         Início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Posse do novo presidente do Brasil, Venceslau Brás, política do café com leite.

·         Eclosão de uma greve operária em São Paulo, em 1917, envolvendo 70 mil trabalhadores.

·         Fundação do Partido Comunista Brasileiro em 1922.



⇒EUCLIDES DA CUNHA

Homenagens a Euclides da Cunha

  Decepcionado com o governo de Marechal Floriano Peixoto, Euclides da Cunha abandonou a carreira militar e passou a exercer a função de engenheiro na superintendência de obras públicas de São Paulo.
  Trabalhou também como correspondente para o jornal O Estado de São Paulo e foi responsável pela cobertura jornalística do conflito de saudoso que resultou, em 1902, na publicação de Os Sertões. A obra é estruturada em três partes:

·           A terra: apresentação das características do sertão nordestino (dados sobre o solo, relevo, vegetação, clima...)

·         O homem: apresentação do perfil do sertanejo, da influência do meio sobre esse homem e do líder messiânico Antônio Conselheiro.

·         A luta: narração dos conflitos entre o exército e os conselheiristas e descrição detalhada da destruição do Arraial de Canudos.

  Euclides da Cunha realizou uma rigorosa análise científica de um fato histórico, a guerra de Canudos, motivo pelo qual a obra se situa entre a sociologia, a antropologia e a literatura. Do naturalismo, Euclides herdou uma visão determinista, aplicada à análise a que se propõe na obra Os sertões, e, antecipando uma marca do regionalismo modernista, o autor revelou em detalhes um mundo desconhecido dos leitores urbanos.



 ⇒LIMA BARRETO

Biografia de Lima Barreto - eBiografia


  Lima Barreto era mestiço e sofreu preconceito por conta disso. Sua sobrevivência foi garantida graças a seu trabalho como jornalista. Esteve internado em hospício devido ao alcoolismo. Esses problemas, direta ou indiretamente, aparecem como temas das obras de Lima Barreto.

 Lima Barreto publicou uma série de livros, dos quais destacam-se Recordações do escrivão Isaías caminha (1909), obra de caráter autobiográfico em que um personagem do interior sofre preconceito no Rio de Janeiro. No romance inacabado Clara dos Anjos (1948), uma “mulatinha, filha de um carteiro” é seduzida por um malandro do subúrbio, Cassi Jones.
  O Triste fim de Policarpo Quaresma conta uma história que teve lugar durante o governo de Marechal Floriano Peixoto (conhecido como Marechal de Ferro por conta de seu rigor), que ocorreu entre 1891 e 1894.
  O autor faz referências, por exemplo, à Revolta da Armada, rebelião organizada pela Marinha brasileira para fazer oposição aos dois primeiros governos republicanos do Brasil, que cada vez mais apresentavam características da ditadura: primeiramente o governo de Marechal Deodoro da Fonseca e, em seguida, o governo do Marechal Floriano Peixoto.
  Além de o contexto histórico de Triste fim de Policarpo Quaresma ter como base o governo ditatorial de Floriano Peixoto, o autor também fez críticas sociais a algumas questões da sociedade dessa época, como, por exemplo, a troca de favores políticos, as injustiças sociais e a burocracia.
   A obra se divide em três partes, ligadas aos projetos do protagonista:

Projeto Nacionalista: estudo minucioso de Quaresma das tradições do Brasil (violão, folclore, língua tupi-guarani etc.).

Projeto Agrícola: Quaresma adquire uma propriedade rural, o sítio do sossego, e fracassou na tentativa de aplicar nas terras o que aprendeu nos livros.

Projeto Político: Após o fim do seu projeto agrícola, engaja-se como voluntário nas tropas lideradas pelo Marechal Floriano Peixoto (Revolta da Armada) para lutar pelos ideais republicanos e tem seu triste fim injustamente decretado.



⇒MONTEIRO LOBATO

Monteiro Lobato


  Foi um escritor e editor brasileiro pré-modernista. Considerado um dos maiores autores de histórias infantis, sua obra mais conhecida é O Sítio do Picapau Amarelo, composta de 23 volumes.
 Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Desde menino já mostrava seu temperamento irrequieto.
 Com 13 anos foi estudar em São Paulo. Registrado José Renato Monteiro Lobato, resolveu mudar de nome, pois queria usar a bengala de seu pai, que havia falecido em 1898.
 A bengala tinha as iniciais J B M L gravadas no topo do castão. Assim, mudou de nome e passou a se chamar José Bento, para que suas iniciais ficassem iguais às do pai.
 Em 1904 formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo. Nesse mesmo ano voltou para Taubaté onde conheceu Maria Pureza Natividade, com quem se casou um ano depois de ser nomeado promotor público na cidade de Areias, em 1907.
 Nessa época pintava e escrevia artigos para os jornais do Rio, Santos e São Paulo. Mais Tarde escreveu “Cidades Mortas”, livro que retrata a agonia da cidade quase abandonada.
 Permaneceu em Areias até 1911, quando morreu seu avô o Visconde de Tremembé, deixando-lhe de herança uma fazenda em Taubaté, para onde se mudou.
 Em 1917, vende a fazenda e muda-se para Caçapava. Nessa época, dedica-se definitivamente à literatura e funda a revista Paraíba, fechada em seguida.
 Muda-se para São Paulo, colabora com a Revista do Brasil, transformando-a em um núcleo de defesa da cultura nacional.

➤CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

 Como escritor literário, Monteiro Lobato situa-se entre os autores regionalistas do Pré-Modernismo e destaca-se nos gêneros conto e fábula.
 Geralmente, o universo retratado pelo escritor são os vilarejos decadentes e as populações do Vale do Paraíba, no momento da crise do plantio do café.
 Monteiro Lobato foi um contador de histórias, preso ainda a certos modelos realistas. Dono de um estilo cuidadoso, não perdeu a oportunidade para criticar certos hábitos brasileiros, como a cópia de modelos estrangeiros.
 Sua ação, além do círculo literário, como intelectual polêmico se estende também ao plano da luta política e social. Moralista e doutrinador, aspirava o progresso material e mental do povo brasileiro.



  
⇒AUGUSTO DOS ANJOS

12 de novembro na história: Morre o poeta Augusto dos Anjos – Info24


  Augusto dos Anjos (1884-1914) foi um poeta brasileiro, considerado um dos poetas mais críticos de sua época. Foi identificado como o mais importante poeta do pré-modernismo, embora revele em sua poesia, raízes do simbolismo, retratando o gosto pela morte, a angústia e o uso de metáforas.
Declarou-se "Cantor da poesia de tudo que é morto". Durante muito tempo foi ignorado pela crítica, que julgou seu vocabulário mórbido e vulgar. Sua obra poética, está resumida em um único livro "EU", publicado em 1912, e reeditado com o nome "Eu e Outros Poemas".
  Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, conhecido como Augusto dos Anjos, nasceu no engenho "Pau d'Arco", na Paraíba, no dia 22 de abril de 1884. Filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos e de Córdula de Carvalho Rodrigues dos Anjos.
  Recebeu do pai, formado em Direito, as primeiras instruções. No ano de 1900, ingressou no Liceu Paraibano e nessa época compôs seu primeiro soneto, "Saudade".
  Augusto dos Anjos estudou na Faculdade de Direito do Recife entre 1903 e 1907. Formado em Direito, retornou para João Pessoa, capital da Paraíba, onde passou a lecionar Literatura Brasileira, em aulas particulares.
  Em 1908 foi nomeado para o cargo de professor do Liceu Paraibano, mas em 1910, foi afastado da função por se desentender com o governador. Nesse mesmo ano casa-se com Ester Fialho e muda-se para o Rio de Janeiro, depois que sua família vendeu o engenho Pau d'Arco.
  No Rio de Janeiro, Augusto dos Anjos lecionou literatura em diversos cursinhos. Lecionou Geografia na Escola Normal, depois no Instituto de Educação e no Ginásio Nacional. Em 1911 foi nomeado professor de Geografia, no Colégio Pedro II. Durante esse período, publicou vários poemas em jornais e periódicos.

⇒SUA ÚNICA OBRA “EU”

  Em 1912, Augusto dos Anjos publicou seu único livro "EU", com 58 poemas, que chocou pela agressividade do vocabulário e por sua obsessão pela morte.
Integram à sua linguagem termos considerados antipoéticos, como "podridão da carne”, “cadáveres fétidos” e “vermes famintos". Como também por sua retórica delirante, por vezes criativa, por vezes absurda, como no poema: Psicologia de um vencido.
  Embora contemporâneo da geração simbolista, Augusto dos Anjos permaneceu à margem da escola. Sua obra apresenta na verdade uma experiência única na literatura universal: a união do Simbolismo com o cientificismo naturalista.
  Por isso, dado o caráter sincrético de sua poesia, está situado entre o grupo pré-modernista. Sua poesia anti-lírica, abriu a discussão sobre os conceitos de “boa poesia”, mas preparou o terreno para a grande renovação modernista. Em 1919, sua única obra foi reeditada como: “Eu e Outras Poesias”.






⇒VANGUARDAS NA EUROPA E NO BRASIL


As vanguardas europeias foram movimentos artísticos (artes plásticas e literatura), ocorridos na Europa durante o século XX, que apresentavam como principais características a oposição ao academicismo (tradicionalismo) e a adoção de projetos inovadores e experimentais.
As cinco principais correntes vanguardistas foram: futurismo, cubismo, dadaísmo, expressionismo e surrealismo.




Futurismo: manifesto, artistas, obras e no Brasil - Toda Matéria

➤Futurismo: primeiro movimento merecedor da classificação de vanguarda, caracteriza-se pelo interesse ideológico na arte. Sua produção preconiza a subversão radical da cultura e dos costumes, negando o passado em sua totalidade e pregando a adesão à pesquisa metódica e à experimentação estilística e técnica.

·         Marinetti foi o principal expoente do futurismo.
·         A velocidade das máquinas,o progresso e a tecnologia foram temas constantes na arte futurista.
·         Os futuristas expuseram suas ideias por meio de manifestos


caracteristicas das vanguardas europeias | Citaliarestauro.com

➤Cubismo: resultado das experiências de Pablo Picasso (1881 – 1973) e de Georges Braque (1882 – 1963), esteve, inicialmente, ligado à pintura e teve por princípio a valorização das formas geométricas. Na literatura, caracteriza-se pela fragmentação da linguagem e geometrização das palavras, dispostas no papel de maneira aleatória a fim de conceber imagens.

·         Os cubistas recusavam a ideia de que a arte deveria imitar a natureza.
·         Utilizando planos geométricos, os artistas cubistas procuravam reconstruir as formas sobre vários ângulos diferentes.
·         Na poesia, os cubistas dispuseram versos em linhas curvas, antecipando o concretismo, além de utilizarem o humor em suas criações.


Dadaísmo: o mais radical dos movimentos de vanguarda | da literatura
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➤Dadaísmo: surgido em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), constitui um grito de revolta contra o capitalismo burguês e o mundo em guerra. Por isso, os dadaístas são contra as teorias e ordenações lógicas.

·         Recusavam os valores burgueses.
·         Negavam a lógica da linguagem, da arte e da ciência.
·         A postura liberta dos artistas ligados ao Dadaísmo serviu de base para o surgimento de movimentos artísticos importantes como o Surrealismo, a Arte conceitual, A Pop art. e o expressionismo abstrato.

Vanguardas europeias: quais são, características - Mundo Educação
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➤Expressionismo: tem como herança a arte do final do século 19 e valoriza aquilo que chama de expressão: a materialização criativa (na tela ou no papel) de imagens geradas no mundo interior do artista.

·         A arte deveria representar necessariamente uma crítica a sociedade.
·         As cores utilizadas nos quadros expressionistas são fortes, contrastantes, com pinceladas vigorosas, criando figuras por vezes deformadas e distantes dos padrões de beleza.


El Surrealismo que no muere nunca - La Web de la Cultura

➤Surrealismo: como o Expressionismo, preocupa-se com a sondagem do mundo interior, a liberação do inconsciente e a valorização do sonho. Esse fascínio pelo que transcende a realidade aproxima os surrealistas das ideias do psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856 – 1939).

·         O mundo dos sonhos e a irracionalidade são elementos presentes nas obras surrealistas.
·         A livre associação de ideias foi um  dos recursos utilizados na produção dessa vanguarda.







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