⇒PRÉ - MODERNISMO NO BRASIL
Embora não constitua uma
escola literária propriamente dita, o período de transição que antecede o Modernismo
brasileiro foi marcado pelo surgimento de alguns escritores que utilizaram suas
obras para problematizar o Brasil. Abordaremos aqui Euclides da cunha, Lima
Barreto e Monteiro Lobato, além do poeta Augusto dos Anjos.
Início:
Publicação da Obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, em 1922.
Fim :
Realização da Semana de Arte Moderna em 1922,evento que “inaugurou” o
Modernismo no Brasil.
⇒CONTEXTO HISTÓRICO DO BRASIL
A proclamação da República em
1889 não significou, como muitos esperavam, uma mudança significativa nos rumos
do país. Entre os fatos ocorridos no final do século XIX e início do XX no Brasil,
destacam-se:
·
Guerra de Canudos(1896-1897): confronto na
comunidade de Canudos, Bahia, entre 10 mil soldados da República e um movimento
popular de fundo sociorreligioso liderado por Antônio Conselheiro, no conflito,
morreram aproximadamente 25 mil pessoas.
·
Marginalização dos negros recém-libertados.
·
Substituição da mão de obra escrava pela de
imigrantes europeus.
·
Afonso Pena é eleito presidente do Brasil em
1906.
·
Greves operárias em São Paulo, Recife e Rio de
Janeiro.
·
Marechal Hermes da Fonseca assume, em 1910, o
governo e decreta intervenção em vários estados, desencadeando uma série de
conflitos da oposição.
·
Eclosão da Guerra dos contestados em 1912.Greves
operárias em São Paulo.
·
Início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Posse
do novo presidente do Brasil, Venceslau Brás, política do café com leite.
·
Eclosão de uma greve operária em São Paulo, em
1917, envolvendo 70 mil trabalhadores.
·
Fundação do Partido Comunista Brasileiro em
1922.
⇒EUCLIDES DA CUNHA


Decepcionado com o governo de
Marechal Floriano Peixoto, Euclides da Cunha abandonou a carreira militar e
passou a exercer a função de engenheiro na superintendência de obras públicas
de São Paulo.
Trabalhou também como
correspondente para o jornal O Estado de São Paulo e foi responsável pela
cobertura jornalística do conflito de saudoso que resultou, em 1902, na
publicação de Os Sertões. A obra é estruturada em três partes:
· A terra: apresentação das características do
sertão nordestino (dados sobre o solo, relevo, vegetação, clima...)
·
O homem: apresentação do perfil do sertanejo,
da influência do meio sobre esse homem e do líder messiânico Antônio
Conselheiro.
·
A luta: narração dos conflitos entre o exército
e os conselheiristas e descrição detalhada da destruição do Arraial de Canudos.
Euclides da Cunha realizou uma
rigorosa análise científica de um fato histórico, a guerra de Canudos, motivo
pelo qual a obra se situa entre a sociologia, a antropologia e a literatura. Do
naturalismo, Euclides herdou uma visão determinista, aplicada à análise a que
se propõe na obra Os sertões, e, antecipando uma marca do regionalismo modernista,
o autor revelou em detalhes um mundo desconhecido dos leitores urbanos.
⇒LIMA BARRETO


Lima Barreto era mestiço e
sofreu preconceito por conta disso. Sua sobrevivência foi garantida graças a seu
trabalho como jornalista. Esteve internado em hospício devido ao alcoolismo.
Esses problemas, direta ou indiretamente, aparecem como temas das obras de Lima
Barreto.
Lima Barreto publicou uma
série de livros, dos quais destacam-se Recordações do escrivão Isaías caminha (1909),
obra de caráter autobiográfico em que um personagem do interior sofre preconceito
no Rio de Janeiro. No romance inacabado Clara dos Anjos (1948), uma “mulatinha,
filha de um carteiro” é seduzida por um malandro do subúrbio, Cassi Jones.
O Triste fim de Policarpo
Quaresma conta uma história que teve lugar durante o governo de Marechal
Floriano Peixoto (conhecido como Marechal de Ferro por conta de seu rigor), que
ocorreu entre 1891 e 1894.
O autor faz referências, por
exemplo, à Revolta da Armada, rebelião organizada pela Marinha brasileira para
fazer oposição aos dois primeiros governos republicanos do Brasil, que cada vez
mais apresentavam características da ditadura: primeiramente o governo de Marechal
Deodoro da Fonseca e, em seguida, o governo do Marechal Floriano Peixoto.
Além de o contexto histórico
de Triste fim de Policarpo Quaresma ter como base o governo
ditatorial de Floriano Peixoto, o autor também fez críticas sociais a algumas
questões da sociedade dessa época, como, por exemplo, a troca de favores
políticos, as injustiças sociais e a burocracia.
A obra se divide em três partes,
ligadas aos projetos do protagonista:
Projeto Nacionalista:
estudo minucioso de Quaresma das tradições do Brasil (violão, folclore, língua tupi-guarani
etc.).
Projeto Agrícola:
Quaresma adquire uma propriedade rural, o sítio do sossego, e fracassou na
tentativa de aplicar nas terras o que aprendeu nos livros.
Projeto Político: Após
o fim do seu projeto agrícola, engaja-se como voluntário nas tropas lideradas
pelo Marechal Floriano Peixoto (Revolta da Armada) para lutar pelos ideais republicanos
e tem seu triste fim injustamente decretado.
⇒MONTEIRO LOBATO

Foi um escritor e
editor brasileiro pré-modernista. Considerado um dos maiores autores de
histórias infantis, sua obra mais conhecida é O Sítio do Picapau Amarelo,
composta de 23 volumes.
Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo,
no dia 18 de abril de 1882. Desde menino já mostrava seu temperamento
irrequieto.
Com 13 anos foi estudar em São Paulo.
Registrado José Renato Monteiro Lobato, resolveu mudar de nome, pois
queria usar a bengala de seu pai, que havia falecido em 1898.
A bengala tinha as iniciais J B M L gravadas
no topo do castão. Assim, mudou de nome e passou a se chamar José Bento, para
que suas iniciais ficassem iguais às do pai.
Em 1904 formou-se em Direito pela Faculdade de
São Paulo. Nesse mesmo ano voltou para Taubaté onde conheceu Maria Pureza
Natividade, com quem se casou um ano depois de ser nomeado promotor público na
cidade de Areias, em 1907.
Nessa época pintava e escrevia artigos para os
jornais do Rio, Santos e São Paulo. Mais Tarde escreveu “Cidades Mortas”, livro
que retrata a agonia da cidade quase abandonada.
Permaneceu em Areias até 1911, quando morreu
seu avô o Visconde de Tremembé, deixando-lhe de herança uma fazenda em Taubaté,
para onde se mudou.
Em 1917, vende a fazenda e muda-se para
Caçapava. Nessa época, dedica-se definitivamente à literatura e funda a
revista Paraíba, fechada em seguida.
Muda-se para São Paulo, colabora com a Revista
do Brasil, transformando-a em um núcleo de defesa da cultura nacional.
➤CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS
Como escritor literário, Monteiro Lobato
situa-se entre os autores regionalistas do Pré-Modernismo e destaca-se nos
gêneros conto e fábula.
Geralmente, o universo retratado pelo escritor
são os vilarejos decadentes e as populações do Vale do Paraíba, no momento da
crise do plantio do café.
Monteiro Lobato foi um contador de histórias,
preso ainda a certos modelos realistas. Dono de um estilo cuidadoso, não perdeu
a oportunidade para criticar certos hábitos brasileiros, como a cópia de
modelos estrangeiros.
Sua ação, além do círculo literário, como
intelectual polêmico se estende também ao plano da luta política e social.
Moralista e doutrinador, aspirava o progresso material e mental do povo
brasileiro.
⇒AUGUSTO DOS ANJOS

Augusto dos Anjos (1884-1914) foi um poeta
brasileiro, considerado um dos poetas mais críticos de sua época. Foi
identificado como o mais importante poeta do pré-modernismo, embora revele em
sua poesia, raízes do simbolismo, retratando o gosto pela morte, a angústia e o
uso de metáforas.
Declarou-se "Cantor da
poesia de tudo que é morto". Durante muito tempo foi ignorado pela
crítica, que julgou seu vocabulário mórbido e vulgar. Sua obra poética, está
resumida em um único livro "EU", publicado em 1912, e reeditado com o
nome "Eu e Outros Poemas".
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos,
conhecido como Augusto dos Anjos, nasceu no engenho "Pau d'Arco", na
Paraíba, no dia 22 de abril de 1884. Filho de Alexandre Rodrigues dos
Anjos e de Córdula de Carvalho Rodrigues dos Anjos.
Recebeu do pai, formado em Direito, as
primeiras instruções. No ano de 1900, ingressou no Liceu Paraibano e nessa
época compôs seu primeiro soneto, "Saudade".
Augusto dos Anjos estudou na Faculdade de
Direito do Recife entre 1903 e 1907. Formado em Direito, retornou
para João Pessoa, capital da Paraíba, onde passou a lecionar
Literatura Brasileira, em aulas particulares.
Em 1908 foi nomeado para o cargo de professor
do Liceu Paraibano, mas em 1910, foi afastado da função por se desentender
com o governador. Nesse mesmo ano casa-se com Ester Fialho e muda-se para o Rio
de Janeiro, depois que sua família vendeu o engenho Pau d'Arco.
No Rio de Janeiro, Augusto dos Anjos lecionou
literatura em diversos cursinhos. Lecionou Geografia na Escola Normal, depois
no Instituto de Educação e no Ginásio Nacional. Em 1911 foi nomeado
professor de Geografia, no Colégio Pedro II. Durante esse período, publicou
vários poemas em jornais e periódicos.
⇒SUA ÚNICA OBRA “EU”
Em 1912, Augusto dos Anjos publicou seu único
livro "EU", com 58 poemas, que chocou pela agressividade do
vocabulário e por sua obsessão pela morte.
Integram à sua linguagem
termos considerados antipoéticos, como "podridão da carne”, “cadáveres
fétidos” e “vermes famintos". Como também por sua retórica delirante, por
vezes criativa, por vezes absurda, como no poema: Psicologia de um vencido.
Embora contemporâneo da geração simbolista,
Augusto dos Anjos permaneceu à margem da escola. Sua obra apresenta na verdade
uma experiência única na literatura universal: a união do Simbolismo com o
cientificismo naturalista.
Por isso, dado o caráter sincrético de sua
poesia, está situado entre o grupo pré-modernista. Sua poesia anti-lírica, abriu
a discussão sobre os conceitos de “boa poesia”, mas preparou o terreno para a
grande renovação modernista. Em 1919, sua única obra foi reeditada como: “Eu e
Outras Poesias”.
⇒VANGUARDAS NA EUROPA E NO BRASIL
As vanguardas europeias foram
movimentos artísticos (artes plásticas e literatura), ocorridos na Europa
durante o século XX, que apresentavam como principais características a
oposição ao academicismo (tradicionalismo) e a adoção de projetos inovadores e
experimentais.
As cinco principais correntes
vanguardistas foram: futurismo, cubismo, dadaísmo, expressionismo e
surrealismo.
➤Futurismo: primeiro
movimento merecedor da classificação de vanguarda, caracteriza-se pelo
interesse ideológico na arte. Sua produção preconiza a subversão radical da
cultura e dos costumes, negando o passado em sua totalidade e pregando a adesão
à pesquisa metódica e à experimentação estilística e técnica.
·
Marinetti foi o principal expoente do futurismo.
·
A velocidade das máquinas,o progresso e a
tecnologia foram temas constantes na arte futurista.
·
Os futuristas expuseram suas ideias por meio de
manifestos
➤Cubismo: resultado
das experiências de Pablo Picasso (1881 – 1973) e de Georges Braque (1882 –
1963), esteve, inicialmente, ligado à pintura e teve por princípio a
valorização das formas geométricas. Na literatura, caracteriza-se pela
fragmentação da linguagem e geometrização das palavras, dispostas no papel de
maneira aleatória a fim de conceber imagens.
·
Os cubistas recusavam a ideia de que a arte
deveria imitar a natureza.
·
Utilizando planos geométricos, os artistas
cubistas procuravam reconstruir as formas sobre vários ângulos diferentes.
·
Na poesia, os cubistas dispuseram versos em
linhas curvas, antecipando o concretismo, além de utilizarem o humor em suas
criações.
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➤Dadaísmo: surgido
em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), constitui um grito de
revolta contra o capitalismo burguês e o mundo em guerra. Por isso, os
dadaístas são contra as teorias e ordenações lógicas.
·
Recusavam os valores burgueses.
·
Negavam a lógica da linguagem, da arte e da
ciência.
·
A postura liberta dos artistas ligados ao
Dadaísmo serviu de base para o surgimento de movimentos artísticos importantes
como o Surrealismo, a Arte conceitual, A Pop art. e o expressionismo abstrato.
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➤Expressionismo: tem
como herança a arte do final do século 19 e valoriza aquilo que chama de
expressão: a materialização criativa (na tela ou no papel) de imagens geradas
no mundo interior do artista.
·
A arte deveria representar necessariamente uma
crítica a sociedade.
·
As cores utilizadas nos quadros expressionistas
são fortes, contrastantes, com pinceladas vigorosas, criando figuras por vezes
deformadas e distantes dos padrões de beleza.
➤Surrealismo: como
o Expressionismo, preocupa-se com a sondagem do mundo interior, a liberação do
inconsciente e a valorização do sonho. Esse fascínio pelo que transcende a
realidade aproxima os surrealistas das ideias do psicanalista austríaco Sigmund
Freud (1856 – 1939).
·
O mundo dos sonhos e a irracionalidade são
elementos presentes nas obras surrealistas.
·
A livre associação de ideias foi um dos recursos utilizados na produção dessa
vanguarda.
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