segunda-feira, 22 de abril de 2019

Romantismo-Resumo de Obras Literárias



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A ESCRAVA ISAURA                                                                                                                                                           
                                                                                                (Autor-  Bernardo Guimarães)
          Conta a história sentimental de uma linda escrava, torturada por um senhor cruel e devasso, e que, afinal, é salva por um rico cavalheiro apaixonado pela sua formosura e bondade.
          Isaura não era uma escrava comum, criada na senzala, nem de cor negra. Filha de um feitor português com uma bela negra africana, era uma autêntica mulata clara, desses que hoje em dia ganham concursos femininos e até representam a beleza brasileira. O autor a apresenta nas primeiras páginas do livro, e a sua aparição se faz através de uma voz maviosa que canta cópias sentimentais de uma cativa suspirando pela liberdade. "Se não é sereia, somente uma anjo pode cantar assim". - diz o romancista, e leva o leitor à sala da fazenda, onde ela, sentada ao piano, canta embevecida. A descrição é opulenta de adjetivos e, ao gosto da época, exagerada. "Uma bela e nobre figura de moça", com "bastas madeixas negras", colo donoso e do mais puro lavor", de "encantadora simplicidade, porte esbelto, cintura delicada", e mais, parecia "uma Vênus nascendo da espuma do mar ou um anjo surgindo dentre brumas vaporosas".
        Realmente, a figura de Isaura pouco tinha de uma cativa. Era de traços finos e de pele morena, educada, cantava bem, tocava piano e fora criada pela senhora da fazenda com todo o carinho. Tais predicados, obviamente, não eram os de uma moça nascida nas senzalas do interior fluminense no século XIX. Talvez o autor, ao criá-la assim, quisesse equipará-la a qualquer moça da sociedade da época para fazer comover ainda mais os corações com sua história triste, que começa com a morte da sua protetora, sem ter formalizada a carta de alforria em seu favor, como prometia sempre.  Isaura passa então á posse do herdeiro, rapaz libertino e devasso. E aí começa a história.
          A história se passa numa grande fazenda fluminense, situada em Campos de Goitacases, hoje cidade de Campos. Isaura, pela sua beleza, desperta nos homens amor à primeira vista. Leôncio, o jovem senhor, devasso, mau, perdulário, quer forçá-la a se tornar sua amante. Henrique, seu cunhado, também a quer conquistar, e por outro lado, o jardineiro, um anão mostrengo e feio, personagem que faz lembrar o Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo, muito em voga na época, sonha casar-se com ela. Os dois primeiros a disputam, e Henrique revela à sua irmã Malvina estar o seu marido apaixonado pela escrava. A esposa abandona Leôncio, e este continua o assedio a Isaura, que o repele. Leôncio usa de todos os recursos, até a ameaça e a violência, mas ela não cede. O português Miguel, pai de Isaura e ex-feitor da fazenda, propõe comprar a liberdade dela por dez contos de réis. Leôncio recusa. Miguel trama então uma fuga e consegue viajar com a filha para Recife, onde passam a viver afastados de todos, com nomes falsos, para escapar à perseguição de Leôncio.
          Entra em cena na narrativa um novo personagem, o herói da história, um rico moço chamado Álvaro, que por ela se apaixona e um dia a convence a ir a um baile na alta sociedade recifense. No baile aparece um outro vilão, de nome Martinho, que reconhece Isaura pela descrição de um anúncio de "escravo fugido" que vira e recortara dos jornais do Rio, interessado nos dez contos de réis da recompensa pela captura. Álvaro tenta, com seu dinheiro, salvar Isaura, mas não consegue, e, após várias peripécias, Leôncio chega a Recife e traz Isaura com ele para a fazenda, e ainda Miguel para cumprir pena pelo rapto e fuga.
          Novo assédio, novas propostas são feitas a Isaura pelo senhor apaixonado, mas ela ainda não cede. Então Leôncio planeja vingar-se de maneira cruel. Manda pôr Isaura a ferros no tronco da senzala e lhe oferece a alternativa: continuar presa naquele instrumento de tortura para sempre ou aceitar a liberdade que ele lhe oferece com a condição de casar-se com Belchior, o anão feio e asqueroso. Desesperada, ela aceita o sacrifício para conseguir a liberdade, mas no dia das bodas, inesperadamente surge o herói Álvaro para salvá-la. É que, tendo, vindo ao Rio, soube da situação financeira de Leôncio, totalmente arruinado e cheio de dívidas. Resolveu comprar todas essas dívidas, tornando-se assim dono da fazenda e de todos os bens de Leôncio, inclusive de Isaura.
          Álvaro vai ser feliz com a linda ex-escrava, que passa a ser a dona de toda a fortuna de Leôncio, e este, desesperado, mete uma bala na cabeça.




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INOCÊNCIA


                                                                     ( Autor -  Visconde de Taunay)
          Num dia de inverno, o sol iluminava e aquecia uma estrada por onde um viajante cavalgava. Surge atrás dele, travando conversa, um menino conversador, chamado Pereira. Tendo o mesmo destino, caminharam juntos.
          O viajante se chamava Cirino e entendia muito de medicamentos; por isso era considerado "doutor".
          Pereira resolveu hospedá-lo em sua casa, aproveitando para deixar aos cuidados de Cirino sua filha Inocência, uma bela cabocla, que se achava doente e acamada. Inocência sentiu-se melhor em pouco tempo.
          Durante o tratamento nasceu entre Inocência e o curandeiro um imenso amor, proibido, todavia, porque a moça esperava o noivo Manecão, escolhido pelo pai.
          Numa noite chuvosa apareceu em casa de Pereira um alemão chamado Meyer e seu ajudante Juca. Trazia uma carta do irmão mais velho de Pereira, pedindo-lhe que atendesse o alemão como se fosse ele próprio.
          Meyer era um naturalista estudioso das borboletas. Devido aos elogios exagerados que Meyer faz à beleza de Inocência, Pereira, rígido e severo na moral, passa a desconfiar do hóspede. Meyer descobre um novo espécime de borboleta, a que chamou "Papillia Innocentia" em homenagem à bela filha do sertanejo. Pereira sente-se no dilema de cumprir, ou o dever de atender ao pedido do irmão, ou o de preservar a honra da família.
          Meyer parte e a chegada de Manecão deixa Inocência e Cirino aterrados. Cirino se desespera e sente que perderá Inocência. Sua amada lhe diz então ter um padrinho, a quem seu pai deve favores e atende. Se Antônio Cesário intercedesse por eles, Pereira talvez permitisse o seu romance.
          Imediatamente, Cirino foi à procura do padrinho de Inocência para que ele impedisse o casamento dela com Manecão. Avisado por Tico, um mudinho, que com sinais deu a entender o romance secreto. Manecão espera Cirino de tocaia e o assassina na estrada, fugindo em seguida. Inocência também morre logo depois, mas é imortalizada e revivida com o nome de borboleta: "Papillia Innocentia".

        



         




Romantismo- Resumo de Obras Literárias




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IRACEMA  ( Autor- José de Alencar)
          Publicado em 1865, o romance é conhecido como a "lenda do Ceará" para explicar poeticamente as origens da sua terra natal, o Ceará, registrando todo o seu amor, o seu carinho que há tantos anos não via.
         Iracema, a "virgem dos lábios de mel", pertence à tribo Tabajara, filha de Araquém, pajé da tribo que dominava o interior do Ceará, especialmente a Serra de Ibiapaba. Seu nome significava em guarani "lábios de mel". Sua função como filha do pajé, era guardar o segredo da Jurema, como "virgem de Tupã", função sagrada, e por isso não poderia amar um homem. Aquele que a possuísse morreria.
         A descrição que o autor fez da linda indígena é a mais bela em língua portuguesa, pois nenhuma mulher jamais recebeu tantos elogios e tropos poéticos de exaltação, espalhados por todo o livro. Ela era "a virgem dos lábios de mel", que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado".
        Sua aparição se faz quando, no banho, ela repousava em um claro da floresta e despreocupadamente enxugava ao sol seu corpo perfumado, enquanto pássaros cantavam nas árvores e com ela entoavam alegremente trinados festivos. Neste ambiente maravilhoso, em plena mata cearense, quando lá ainda dominavam os índios em fortes nações, desenvolve-se a lenda que Alencar transpôs para a literatura.
         A história de Iracema é muito triste, e essa tristeza só é amenizada, e não se torna melodramática, pelo seu estilo poético que atinge o maravilhoso. Nela surge o guerreiro branco Martim, que tendo saído à caça com seu amigo Poti, da nação dos potiguaras, perdera-se nas florestas, indo dar ao campo dos tabajaras, onde Iracema o encontra e leva à cabana de seu pai. Araquém, pajé da tribo. A hospitalidade é franca, gozando Martim de todas as regalias, e fica à espera de Caubi, irmão de Iracema, que o levará de volta às terras potiguaras. Iracema apaixona-se por ele e Irapuã, grande guerreiro tabajara, enciumado, quer matá-lo, e mais de uma vez o tenta. Mas Iracema evita os embates, salvando o seu amado. Não podendo, pelas leis da tribo, amar um homem, pois era "a virgem de Tupã", ela se entrega ao guerreiro branco e com ele foge, abandonando seu povo. Leva-o até a região dos potiguaras, onde encontram Poti, o amigo e irmão de Martim. Desde então as desgraças se abatem sobre ela. Seus irmãos empreendem uma guerra de vingança, tendo à frente Irapuã, e saem perseguindo fugitivos. Por causa dela travou-se um combate entre as duas nações, os tabajaras e os potiguaras, no qual o seu povo foi vencido e fugiu, deixando o campo cheio de cadáveres. Ela se sentiu muito triste, com remorso por ter sido a causa daquela desgraça, e teve saudade de sua terra, de seu pai, de seu povo, sem no entanto arrefecer o amor por Martim, que compensava todos os sacrifícios. Nasceu-lhes um filho a quem chamaram de Moacir, o filho "filho da dor".
          Mas o guerreiro branco também sentia saudade de sua pátria distante, e passava longas temporadas longe dela, caçando e em demoradas jornadas pelas selvas. Iracema definhava de tristeza, saudade e abandono. O leite materno lhe murchou os seios e já nem dava para alimentar o filho. Num de seus regressos, Martim a encontrou quase desfalecida à porta da cabana, e viu então "como a dor tinha consumido o seu belo corpo, mas a formosura ainda morava nela, como o perfume na flor caída do manacá". Disse-lhe ela: "Recebe o filho do teu sangue. Era tempo: meus seios ingratos já não tinham alimento para dar-lhe!".
          E logo depois pediu-lhe: "Enterra o corpo de tua esposa ao pé do coqueiro que tu amavas. Quando o vento do mar soprar nas folhas, Iracema pensará que é tua voz que fala entre os seus cabelos".
          Martim assim o fez e levou o filho para longe do Ceará. Anos depois voltou trazendo sacerdotes e a cruz de Cristo para implantar ali a religião. Seu amigo Poti foi batizado com o nome de Antônio Filipe Camarão. Voltando ao sítio onde viveu com Iracema, reviu emocionado "as verdes folhas a cuja sombra dormia a formosa tabajara".







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O GUARANI  (José de Alencar)

          D. Antônio de Mariz, fidalgo português da cidade do Rio de Janeiro, homem de valor, experimentado na guerra, retirou-se do serviço ao ser aclamado no Brasil D. Felipe II e foi estabelecer-se na sesmaria que lhe concedera Mem de Sá.
          Sua casa, às margens do rio Paquequer, foi construída com todo luxo e conforto. Vivia rodeado da família e dos companheiros que considerava seus amigos. Sua família era composta por sua mulher D. Lauriana, o filho D. Diogo de Mariz, a filha Cecília e Isabel, sua sobrinha.
          Uma bandeira sob o comando de Álvaro de Sá voltava do Rio de Janeiro a toda pressa, tendo no caminho encontrado um índio jovem, que sozinho enfrentava uma onça. O índio recusava auxílio, fazendo com que eles seguissem viagem e capturando a onça viva. Nos jardins da casa do Paquequer, Cecília sonhava acordada quando foi despertada por Isabel e puseram-se a conversar ao tempo em que os cavaleiros chegavam a casa.
          D. Antônio de Mariz contava a Aires Gomes, seu fiel escudeiro, seu desagrado pelo crime prometido por seu filho, matando uma jovem índia numa caçada, provocando a ira do povo dela, dizendo ainda que pretendia desterrá-lo para Salvador. Nesse momento chegam Álvaro e seus companheiros.
          Cortejada por Álvaro, Cecília recusa um presente dele. Depois da ceia, já em seu quarto, localizado num lugar inacessível da casa, Cecília é observada por três homens: Álvaro, que a amava, Loredano, o italiano seu inimigo, que a desejava, e Peri, que a adorava. Enquanto isso, Isabel, noutro lado, amargurava seu amor não correspondido por Álvaro.
          Noutro dia, Cecília dirige-se com Isabel ao rio para tomarem banho, quando Peri mata dois aimorés que espreitavam para matar Cecília, perseguindo ainda a moça que acompanhava os índios.
          Isso se passa em 1604. Um ano antes, Frei Ângelo di Luca ouvira a confissão de Fernão Aires, que agonizava, e soube da existência de um segredo roubado por um tal Robério, em quem o moribundo havia confiado. Logo após a morte de Fernão Aires, Frei Ângelo despistara Nunes, amigo do morto, dizendo que iria fazer a reparação de um crime. No entanto, acompanhado de um índio, que depois mataria para conservar o segredo, partiu transformado no aventureiro Loredano.
          Peri, filho de Araré, primeiro de sua tribo goitacás, ao salvar a vida de Cecília tornou-se seu amigo e voltou diversas vezes à casa de D. Antônio de Mariz, em diversas ocasiões.
           Loredano, abusando da confiança de D. Antônio, pediu guarida com o intento de apoderar-se de Cecília, encontrar as minas de prata e voltar à Europa rico e poderoso.
          Peri, atendendo a um capricho de Cecília, renega seu povo e fica inteiramente dedicado àquela a quem chama de Ceci e a seu pai a quem acompanha em suas excursões locais. Loredano, aliado aos empregados da casa de Bento Simões e Rui Soeiro, tenta contra a vida de Álvaro pelas costas, sendo este salvo ´por Peri.   Peri permanece fiel a sua ama Cecília em todos os momentos.
          D. Antônio de Mariz chama Àlvaro e D. Diogo e coloca-os a par de seu testamento, confessando que Isabel também é sua filha.
          Pede a Peri que volte a sua gente, mas sabendo que havia salvo a vida de Cecília pela segunda vez muda de ideia.   
          Álvaro,  que votava uma afeição pura a Cecília, é tomado de surpresa e julga uma injúria a declaração de amor que lhe faz Isabel.
         Peri segue Loredano através da floresta e fica conhecendo suas tramas diabólicas, levando-as ao conhecimento de Álvaro, que a princípio não acredita.
         D. Antônio de Mariz, ciente de um perigo iminente, pede a seu filho Diogo que vá ao Rio de Janeiro em busca de socorro, sendo que na escolha dos homens que o acompanhariam é incluído Loredano. Este, entretanto, ainda perto da casa, despista-os e volta; e com o auxílio de seus cúmplices, na calada da noite, tenta raptar Cecília, no que é impedido por Peri, que o fere na mão com uma flechada, obrigando-o a fugir. Antes Peri já evitara que a casa fosse incendiada, matando Bento Simões e Rui Soeiro.
         Loredano promove a revolta dos aventureiros, que em parte é abafada pela firmeza de D. Antônio, não evitando contudo que uma parte dos homens se reúna com Loredano para atacar a casa, sendo surpreendidos com um ataque dos aimorés que estão em grande número. À vista do ataque, os aventureiros se retiram e tratam de combater o inimigo comum. Peri, mesmo contra a vontade de Cecília e de D. Antônio, arremessa-se contra as linhas inimigas e parte à procura de socorro. No amanhecer do dia seguinte, quando os aimorés se pfreparam para o grande ataque, são surpreendidos pela coragem de Peri, que os enfrenta sozinho, em luta desigual. Depois de matar muitos, é feito prisioneiro, sendo salvo contra  sua vontade por uma rápida incursão feita por Álvaro e alguns homens, já que pretendia com sua morte envenenar toda a horda dos aimorés.
          Numa sequência violenta de acontecimentos, Loredano e seus seguidores são eliminados; Álvaro é morto em combate com os índios e seu corpo é trazido para casa por Peri. Isabel, vendo que o homem a quem mais amava estava morto, suicida-se com curare.
          Chegam os momentos finais. Peri planeja o salvamento de Cecília, no que é apoiado por D. Antônio de Mariz, transformando-o em cristão pelo batismo. Num supremo esforço, Peri carrega Cecília adormecida até uma pequena canoa escondida com antecedência.
          De longe, Peri assiste ao incêndio da casa e o triste fim de seus amigos. Descendo a torrente, passam-se vários dias, até que, já no Paraíba, julgam-se a salvo. No entanto, são surpreendidos por um violento temporal, que provoca inundações e arrasta tudo consigo. Salvam-se no topo de uma árvore e montando numa palmeira são levados pela correnteza impetuosa... desaparecendo no horizonte...



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 SENHORA ( José de Alencar)


          Tema: A degenerescência do amor por dinheiro e a reabilitação da dignidade pelo trabalho.
          Personagens:                                                                                                                                         Aurélia Camargo: linda jovem que, graças a uma inesperada herança, deixa a escuridão da pobreza e passa a brilhar na sociedade fluminense. A princípio, magoada e vingativa, deixa-se finalmente vencer pelo amor.
          Fernando Seixas: grande amor de Aurélia, que a abandona por ela ser pobre, ambicionando casar-se com moça de dote. Reabilita-se moralmente e reconquista o amor de Aurélia.
          D. Firmina Mascarenhas: viúva que vive com Aurélia Camargo.
          Sr. Lemos: tio e tutor de Aurélia.
          D. Camila: mãe de Fernando.
          Eduardo Abreu: pretendente apaixonado por Aurélia.
          Adelaide Amaral: noiva de Fernando.
          Resumo da Obra: Senhora, obra-prima de Alencar, narra em terceira pessoa a história de Aurélia Camargo, filha de D. Emília Camargo e de Pedro Camargo, morava com sua mãe e seu irmão Emílio. Aurélia não chegara a conhecer o pai, pois este fora separado da mulher e dos filhos pelo avô, um rico fazendeiro, que desejava ver o filho casado com uma moça, filha de um outro rico fazendeiro da vizinhança, ignorando assim o casamento de Pedro com Emília. Pedro, revoltado, sai de casa, morrendo em seguida. Desde então, Emília levava uma vida sacrificada em companhia dos dois filhos que a ajudavam no serviço, pois desde o casamento era ignorada pelos parentes. Era muito doente, mas mesmo assim lutava para ver os filhos encaminhados na vida. Logo, porém, perdeu o filho e vendo seus dias chegarem ao fim aconselha Aurélia a que fique na janela para ver se arranja um bom casamento. Mesmo contrariada, Aurélia fez os gostos da mãe. Em breve, dada a sua beleza, arranjara vários candidatos, inclusive seu tio. Mas a vida continuava dura para ambas, embora aparecessem vários rapazes interessados em Aurélia. Entre os apaixonados estavam Eduardo Eduardo Abreu, rapaz rico, de excelente família, e Fernando Seixas, rapaz de boa índole, mas desviado pelo desejo de carreira fácil e brilhante. Aurélia apaixona-se por Fernando e fica noiva, mas o tio da moça, interessado que estava na sobrinha, quis evitar o casamento, indicando a Fernando a casa de um seu amigo chamado Amaral, que tinha uma filha chamada Adelaide.  Amaral, pensando ser Seixas um bom partido e a salvação de sua vida oferece a Fernando sua filha em troca de dois dotes de trinta contos de réis que Fernando incontinenti aceitou por estar em dificuldades financeiras e sem saber que Amaral estava falido.
          Numa certa manhã, bateram à porta de D. Emília. Ela e a filha receberam a visita de um velho alto e robusto que, fitando Aurélia com os olhos marejados, levanta-a nos braços antes que esta pudesse evitar. Quando D. Emília quis acudir a filha, o velho disse ser o pai de Pedro e, portanto, avô de Aurélia, que correu para os seus braços. Passados os momentos de emoção, o velho despediu-se, deixando a Aurélia um documento que ela só deveria abrir quando viessem pedir, alegando que era para não perder na viagem. Este papel era uma escritura testamentária em que passava todos os seus bens para o nome de Aurélia. Logo depois do acontecido, o avô de Aurélia morre e em poucos dias morre também sua mãe. Sozinha, Aurélia foi amparada por Torquato Ribeiro, que convenceu D. Firmina a levá-la para sua casa.
         Fora essa parenta, nenhum outro aparecera na casa de Aurélia durante a enfermidade e após a morte de D. Emília. A moça começou a procurar serviço.
       Aparece então um emissário do velho Camargo que lhe pediu o papel que o velho lhe deixara. Era um testamento que a tornava herdeira universal do avô. Lemos, mais que depressa, correu ao juizado de menores e arranjou sua nomeação para tutor de Aurélia, que não gostou, mas acabou aceitando.
          Começa para Aurélia uma nova vida em companhia de sua parenta D. Firmina Mascarenhas: frequentava a alta sociedade fluminense, era muito admirada e desejada por todos, a quem ela desprezava. Guardava porém uma vingança para Fernando, que a abandonara por trinta contos de réis.. Chamou seu tio e tutor e encarregou-o de oferecer cem contos de réis como dote a Fernando Seixas, para que se casasse com ela. Fernando mais que rapidamente aceitou, pedindo já um adiantamento de vinte contos de réis.
        Depois da apresentação e da conversação sobre vários assuntos, foi acertado o dia do casamento.
        Reuniu-se uma sociedade escolhida e pouco numerosa na casa de Aurélia para assistir ao casamento. Logo após a recepção, Lemos levou Seixas aos aposentos mostrando-lhe tudo o que lhe pertencia, inclusive as roupas. Depois, Seixas e Aurélia dirigiram-se à câmara nupcial e foi quando Aurélia lhe disse que o havia comprado muito caro e que o casamento de ambos só era válido perante a sociedade, pois ela o comprara assim como ele a havia trocado por trinta contos de réis. Seixas calou-se chocado e desiludido.
        Para os outros, tudo ia bem entre eles, mas, na intimidade, nada mudara. Aurélia tratava Seixas como um objeto qualquer da casa, humilhando-o perante outras pessoas. Fernando dedicava-se de corpo e alma ao serviço, fazendo negócios que lhe rendiam bom dinheiro.
          Aurélia sentia muitos ciúmes de Seixas, mas queria crer que era por orgulho e não por amor.
         Certo dia, voltando para casa a fim de pegar uns papéis, encontrou Aurélia conversando com Eduardo Abreu que havia falido e a quem Aurélia pretendia ajudar. Seixas foi aos seus aposentos, saindo depois pelos fundos.
         Na hora do jantar, perante o estranhamento de Aurélia em face da ausência do marido, a mucama disse-lhe que Fernando avisara que iria chegar mais tarde: Aurélia disfarçou sua preocupação.
         Já estavam jantando quando chega Fernando dizendo que desejava falar com Aurélia após o jantar; para isso dirigiram-se aos aposentos da senhora.  
         Fernando então lhe diz que se no momento da cerimônia tivesse tido os vinte contos que pedira adiantados, tudo já se teria resolvido. Porém, agora queria lhe restituir todo o dinheiro do dote e recuperar sua dignidade: se separariam como fazem dois contratantes de boa fé que, reconhecendo seu engano, se descobrem mutuamente. Pede então, a Aurélia que lhe devolva o papel, recibo de sua venda, entregando-lhe o dinheiro.  Quando Fernando se preparava para sair, Aurélia o deteve dizendo-lhe que o passado estava extinto e que durante aqueles onze meses eles tinham vivido contra seus próprios sentimentos, como dois estranhos. Ajoelhando-se diante do marido, lhe pede que aceite seu amor, amor que nunca deixara de ser dele, ainda quando mais cruelmente ofendida; aquela que o humilhara estava ali agora, abatida, implorando por seu amor. Seixas a ergueu e seus lábios se uniram, e diante do argumento de que a riqueza dela seria um empecilho, Aurélia lhe entrega um documento que escrevera logo após o casamento, documento este que declarava o imenso amor que sentia por ele, instituindo-o seu herdeiro universal. Fernando Seixas contempla com os olhos rasos de lágrimas sua amada Aurélia, sua inesquecível "Senhora".























Romantismo-Resumo de Obras Literárias

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 Autor - Manuel Antônio de Almeida

Leonardo: personagem central da história.

         Leonardo Pataca, descontente com seus negócios em Portugal, resolve ir ao Brasil. Encontra Maria-da-Hortaliça e, para chamar-lhe a atenção, dá-lhe uma pisadela no pé e é correspondido com um beliscão na mão. O relacionamento é rápido e completo. Vêm juntos para o Brasil e depois de seis meses nasce o fruto da pisadela e do beliscão: um menino forte, guloso e chorão, o Leonardinho. Depois de sete anos de traquinagens, surras e gulodices, Leonardo é abandonado pelos pais nas mãos do barbeiro, seu padrinho. Isto porque Leonardo Pataca viu confirmadas suas dúvidas de que estava sendo traído. Surra Maria e esta foge com um capitão de navio.
          O padrinho, idoso e solitário, dá rédeas soltas ao menino, que põe em prática todas as ideias demoníacas de que é capaz. O padrinho achava graça e, elogiando sua inteligência, queria fazê-lo padre. Na escola, Leonardo foi um fracasso; nas festas religiosas, mais perturbava que acompanhava. Tornou-se um perfeito vadio.
          Enquanto isso, seu pai, o velho Leonardo, viu-se envolvido num romance escandaloso com uma cigana, a qual o abandonou para ficar com o padre mestre-de-cerimônias.
          A comadre e o compadre frequentavam a casa de uma amiga comum, muito rica, D. Maria, senhora idosa que tinha a mania das demandas, e sobre este assunto conversava durante horas. E foi vencendo uma demanda contra um compadre do seu irmão que D. Maria conseguiu a tutoria de sua sobrinha Luisinha, que veio morar com a tia. Em uma das suas visitas do compadre à casa de D. Maria, Leonardo conheceu Luisinha. A princípio achou-a engraçada, mas depois começou a interessar-se por ela, acabando completamente apaixonado. Passou a desejar com ansiedade as visitas que antes detestava, só para conversar com a menina.
        Porém, como sua sorte sempre terminava em desventuras, apareceu outro personagem: José Manuel, um velhaco falante, conhecido de D. Maria e interessado em Luisinha, que ele esperava ser a única herdeira da tia.
         O barbeiro pediu ajuda à comadre para interceder pelo rapaz junto a D. Maria. A boa madrinha de Leonardo começou a depreciar José Manuel diante de D. Maria, acabando por desacreditá-lo perante a amiga, que afastou José Manuel de sua casa.
          Ocorreu então que o padrinho de Leonardo vem a falecer, tendo este que ir morar com o pai. Depois de muitos desentendimentos com a companheira do pai, Leonardo fugiu de casa. Encontrou um amigo, antigo companheiro dos tempos de sacristão e amigo de travessuras, com uma súcia de malandros, e juntou-se a eles.
          Com seu temperamento amoroso, apaixona-se por Vidinha, que lá morava, provocando ciúmes em dois primos que o denunciaram como vadio ao Vidigal. O major prendeu-o, mas ele conseguiu fugir, deixando o major furioso. A comadre lhe consegue um emprego para livrá-lo das garras da lei, mas este não durou muito, e o rapaz voltou a cair nas mãos do Vidigal. Enquanto isso, Luisinha, que pensava ter sido abandonada por Leonardo, aceitara as propostas de José Manuel.
      Leonardo reaparece como soldado, porque o major obrigara-o a sentar praça, depois de havê-lo prendido novamente.
          A comadre, madrinha de Leonardo, juntou-se com D. Maria e mais uma amiga do Vidigal e foram até ele interceder pelo rapaz. O major atendeu aos pedidos das mulheres, libertando Leonardo e promovendo-o a Sargento. Nesse ínterim, Luisinha fica viúva e, encontrando-se com Leonardo, casa-se com ele.