segunda-feira, 22 de abril de 2019

Romantismo- Resumo de Obras Literárias




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IRACEMA  ( Autor- José de Alencar)
          Publicado em 1865, o romance é conhecido como a "lenda do Ceará" para explicar poeticamente as origens da sua terra natal, o Ceará, registrando todo o seu amor, o seu carinho que há tantos anos não via.
         Iracema, a "virgem dos lábios de mel", pertence à tribo Tabajara, filha de Araquém, pajé da tribo que dominava o interior do Ceará, especialmente a Serra de Ibiapaba. Seu nome significava em guarani "lábios de mel". Sua função como filha do pajé, era guardar o segredo da Jurema, como "virgem de Tupã", função sagrada, e por isso não poderia amar um homem. Aquele que a possuísse morreria.
         A descrição que o autor fez da linda indígena é a mais bela em língua portuguesa, pois nenhuma mulher jamais recebeu tantos elogios e tropos poéticos de exaltação, espalhados por todo o livro. Ela era "a virgem dos lábios de mel", que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado".
        Sua aparição se faz quando, no banho, ela repousava em um claro da floresta e despreocupadamente enxugava ao sol seu corpo perfumado, enquanto pássaros cantavam nas árvores e com ela entoavam alegremente trinados festivos. Neste ambiente maravilhoso, em plena mata cearense, quando lá ainda dominavam os índios em fortes nações, desenvolve-se a lenda que Alencar transpôs para a literatura.
         A história de Iracema é muito triste, e essa tristeza só é amenizada, e não se torna melodramática, pelo seu estilo poético que atinge o maravilhoso. Nela surge o guerreiro branco Martim, que tendo saído à caça com seu amigo Poti, da nação dos potiguaras, perdera-se nas florestas, indo dar ao campo dos tabajaras, onde Iracema o encontra e leva à cabana de seu pai. Araquém, pajé da tribo. A hospitalidade é franca, gozando Martim de todas as regalias, e fica à espera de Caubi, irmão de Iracema, que o levará de volta às terras potiguaras. Iracema apaixona-se por ele e Irapuã, grande guerreiro tabajara, enciumado, quer matá-lo, e mais de uma vez o tenta. Mas Iracema evita os embates, salvando o seu amado. Não podendo, pelas leis da tribo, amar um homem, pois era "a virgem de Tupã", ela se entrega ao guerreiro branco e com ele foge, abandonando seu povo. Leva-o até a região dos potiguaras, onde encontram Poti, o amigo e irmão de Martim. Desde então as desgraças se abatem sobre ela. Seus irmãos empreendem uma guerra de vingança, tendo à frente Irapuã, e saem perseguindo fugitivos. Por causa dela travou-se um combate entre as duas nações, os tabajaras e os potiguaras, no qual o seu povo foi vencido e fugiu, deixando o campo cheio de cadáveres. Ela se sentiu muito triste, com remorso por ter sido a causa daquela desgraça, e teve saudade de sua terra, de seu pai, de seu povo, sem no entanto arrefecer o amor por Martim, que compensava todos os sacrifícios. Nasceu-lhes um filho a quem chamaram de Moacir, o filho "filho da dor".
          Mas o guerreiro branco também sentia saudade de sua pátria distante, e passava longas temporadas longe dela, caçando e em demoradas jornadas pelas selvas. Iracema definhava de tristeza, saudade e abandono. O leite materno lhe murchou os seios e já nem dava para alimentar o filho. Num de seus regressos, Martim a encontrou quase desfalecida à porta da cabana, e viu então "como a dor tinha consumido o seu belo corpo, mas a formosura ainda morava nela, como o perfume na flor caída do manacá". Disse-lhe ela: "Recebe o filho do teu sangue. Era tempo: meus seios ingratos já não tinham alimento para dar-lhe!".
          E logo depois pediu-lhe: "Enterra o corpo de tua esposa ao pé do coqueiro que tu amavas. Quando o vento do mar soprar nas folhas, Iracema pensará que é tua voz que fala entre os seus cabelos".
          Martim assim o fez e levou o filho para longe do Ceará. Anos depois voltou trazendo sacerdotes e a cruz de Cristo para implantar ali a religião. Seu amigo Poti foi batizado com o nome de Antônio Filipe Camarão. Voltando ao sítio onde viveu com Iracema, reviu emocionado "as verdes folhas a cuja sombra dormia a formosa tabajara".







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O GUARANI  (José de Alencar)

          D. Antônio de Mariz, fidalgo português da cidade do Rio de Janeiro, homem de valor, experimentado na guerra, retirou-se do serviço ao ser aclamado no Brasil D. Felipe II e foi estabelecer-se na sesmaria que lhe concedera Mem de Sá.
          Sua casa, às margens do rio Paquequer, foi construída com todo luxo e conforto. Vivia rodeado da família e dos companheiros que considerava seus amigos. Sua família era composta por sua mulher D. Lauriana, o filho D. Diogo de Mariz, a filha Cecília e Isabel, sua sobrinha.
          Uma bandeira sob o comando de Álvaro de Sá voltava do Rio de Janeiro a toda pressa, tendo no caminho encontrado um índio jovem, que sozinho enfrentava uma onça. O índio recusava auxílio, fazendo com que eles seguissem viagem e capturando a onça viva. Nos jardins da casa do Paquequer, Cecília sonhava acordada quando foi despertada por Isabel e puseram-se a conversar ao tempo em que os cavaleiros chegavam a casa.
          D. Antônio de Mariz contava a Aires Gomes, seu fiel escudeiro, seu desagrado pelo crime prometido por seu filho, matando uma jovem índia numa caçada, provocando a ira do povo dela, dizendo ainda que pretendia desterrá-lo para Salvador. Nesse momento chegam Álvaro e seus companheiros.
          Cortejada por Álvaro, Cecília recusa um presente dele. Depois da ceia, já em seu quarto, localizado num lugar inacessível da casa, Cecília é observada por três homens: Álvaro, que a amava, Loredano, o italiano seu inimigo, que a desejava, e Peri, que a adorava. Enquanto isso, Isabel, noutro lado, amargurava seu amor não correspondido por Álvaro.
          Noutro dia, Cecília dirige-se com Isabel ao rio para tomarem banho, quando Peri mata dois aimorés que espreitavam para matar Cecília, perseguindo ainda a moça que acompanhava os índios.
          Isso se passa em 1604. Um ano antes, Frei Ângelo di Luca ouvira a confissão de Fernão Aires, que agonizava, e soube da existência de um segredo roubado por um tal Robério, em quem o moribundo havia confiado. Logo após a morte de Fernão Aires, Frei Ângelo despistara Nunes, amigo do morto, dizendo que iria fazer a reparação de um crime. No entanto, acompanhado de um índio, que depois mataria para conservar o segredo, partiu transformado no aventureiro Loredano.
          Peri, filho de Araré, primeiro de sua tribo goitacás, ao salvar a vida de Cecília tornou-se seu amigo e voltou diversas vezes à casa de D. Antônio de Mariz, em diversas ocasiões.
           Loredano, abusando da confiança de D. Antônio, pediu guarida com o intento de apoderar-se de Cecília, encontrar as minas de prata e voltar à Europa rico e poderoso.
          Peri, atendendo a um capricho de Cecília, renega seu povo e fica inteiramente dedicado àquela a quem chama de Ceci e a seu pai a quem acompanha em suas excursões locais. Loredano, aliado aos empregados da casa de Bento Simões e Rui Soeiro, tenta contra a vida de Álvaro pelas costas, sendo este salvo ´por Peri.   Peri permanece fiel a sua ama Cecília em todos os momentos.
          D. Antônio de Mariz chama Àlvaro e D. Diogo e coloca-os a par de seu testamento, confessando que Isabel também é sua filha.
          Pede a Peri que volte a sua gente, mas sabendo que havia salvo a vida de Cecília pela segunda vez muda de ideia.   
          Álvaro,  que votava uma afeição pura a Cecília, é tomado de surpresa e julga uma injúria a declaração de amor que lhe faz Isabel.
         Peri segue Loredano através da floresta e fica conhecendo suas tramas diabólicas, levando-as ao conhecimento de Álvaro, que a princípio não acredita.
         D. Antônio de Mariz, ciente de um perigo iminente, pede a seu filho Diogo que vá ao Rio de Janeiro em busca de socorro, sendo que na escolha dos homens que o acompanhariam é incluído Loredano. Este, entretanto, ainda perto da casa, despista-os e volta; e com o auxílio de seus cúmplices, na calada da noite, tenta raptar Cecília, no que é impedido por Peri, que o fere na mão com uma flechada, obrigando-o a fugir. Antes Peri já evitara que a casa fosse incendiada, matando Bento Simões e Rui Soeiro.
         Loredano promove a revolta dos aventureiros, que em parte é abafada pela firmeza de D. Antônio, não evitando contudo que uma parte dos homens se reúna com Loredano para atacar a casa, sendo surpreendidos com um ataque dos aimorés que estão em grande número. À vista do ataque, os aventureiros se retiram e tratam de combater o inimigo comum. Peri, mesmo contra a vontade de Cecília e de D. Antônio, arremessa-se contra as linhas inimigas e parte à procura de socorro. No amanhecer do dia seguinte, quando os aimorés se pfreparam para o grande ataque, são surpreendidos pela coragem de Peri, que os enfrenta sozinho, em luta desigual. Depois de matar muitos, é feito prisioneiro, sendo salvo contra  sua vontade por uma rápida incursão feita por Álvaro e alguns homens, já que pretendia com sua morte envenenar toda a horda dos aimorés.
          Numa sequência violenta de acontecimentos, Loredano e seus seguidores são eliminados; Álvaro é morto em combate com os índios e seu corpo é trazido para casa por Peri. Isabel, vendo que o homem a quem mais amava estava morto, suicida-se com curare.
          Chegam os momentos finais. Peri planeja o salvamento de Cecília, no que é apoiado por D. Antônio de Mariz, transformando-o em cristão pelo batismo. Num supremo esforço, Peri carrega Cecília adormecida até uma pequena canoa escondida com antecedência.
          De longe, Peri assiste ao incêndio da casa e o triste fim de seus amigos. Descendo a torrente, passam-se vários dias, até que, já no Paraíba, julgam-se a salvo. No entanto, são surpreendidos por um violento temporal, que provoca inundações e arrasta tudo consigo. Salvam-se no topo de uma árvore e montando numa palmeira são levados pela correnteza impetuosa... desaparecendo no horizonte...



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 SENHORA ( José de Alencar)


          Tema: A degenerescência do amor por dinheiro e a reabilitação da dignidade pelo trabalho.
          Personagens:                                                                                                                                         Aurélia Camargo: linda jovem que, graças a uma inesperada herança, deixa a escuridão da pobreza e passa a brilhar na sociedade fluminense. A princípio, magoada e vingativa, deixa-se finalmente vencer pelo amor.
          Fernando Seixas: grande amor de Aurélia, que a abandona por ela ser pobre, ambicionando casar-se com moça de dote. Reabilita-se moralmente e reconquista o amor de Aurélia.
          D. Firmina Mascarenhas: viúva que vive com Aurélia Camargo.
          Sr. Lemos: tio e tutor de Aurélia.
          D. Camila: mãe de Fernando.
          Eduardo Abreu: pretendente apaixonado por Aurélia.
          Adelaide Amaral: noiva de Fernando.
          Resumo da Obra: Senhora, obra-prima de Alencar, narra em terceira pessoa a história de Aurélia Camargo, filha de D. Emília Camargo e de Pedro Camargo, morava com sua mãe e seu irmão Emílio. Aurélia não chegara a conhecer o pai, pois este fora separado da mulher e dos filhos pelo avô, um rico fazendeiro, que desejava ver o filho casado com uma moça, filha de um outro rico fazendeiro da vizinhança, ignorando assim o casamento de Pedro com Emília. Pedro, revoltado, sai de casa, morrendo em seguida. Desde então, Emília levava uma vida sacrificada em companhia dos dois filhos que a ajudavam no serviço, pois desde o casamento era ignorada pelos parentes. Era muito doente, mas mesmo assim lutava para ver os filhos encaminhados na vida. Logo, porém, perdeu o filho e vendo seus dias chegarem ao fim aconselha Aurélia a que fique na janela para ver se arranja um bom casamento. Mesmo contrariada, Aurélia fez os gostos da mãe. Em breve, dada a sua beleza, arranjara vários candidatos, inclusive seu tio. Mas a vida continuava dura para ambas, embora aparecessem vários rapazes interessados em Aurélia. Entre os apaixonados estavam Eduardo Eduardo Abreu, rapaz rico, de excelente família, e Fernando Seixas, rapaz de boa índole, mas desviado pelo desejo de carreira fácil e brilhante. Aurélia apaixona-se por Fernando e fica noiva, mas o tio da moça, interessado que estava na sobrinha, quis evitar o casamento, indicando a Fernando a casa de um seu amigo chamado Amaral, que tinha uma filha chamada Adelaide.  Amaral, pensando ser Seixas um bom partido e a salvação de sua vida oferece a Fernando sua filha em troca de dois dotes de trinta contos de réis que Fernando incontinenti aceitou por estar em dificuldades financeiras e sem saber que Amaral estava falido.
          Numa certa manhã, bateram à porta de D. Emília. Ela e a filha receberam a visita de um velho alto e robusto que, fitando Aurélia com os olhos marejados, levanta-a nos braços antes que esta pudesse evitar. Quando D. Emília quis acudir a filha, o velho disse ser o pai de Pedro e, portanto, avô de Aurélia, que correu para os seus braços. Passados os momentos de emoção, o velho despediu-se, deixando a Aurélia um documento que ela só deveria abrir quando viessem pedir, alegando que era para não perder na viagem. Este papel era uma escritura testamentária em que passava todos os seus bens para o nome de Aurélia. Logo depois do acontecido, o avô de Aurélia morre e em poucos dias morre também sua mãe. Sozinha, Aurélia foi amparada por Torquato Ribeiro, que convenceu D. Firmina a levá-la para sua casa.
         Fora essa parenta, nenhum outro aparecera na casa de Aurélia durante a enfermidade e após a morte de D. Emília. A moça começou a procurar serviço.
       Aparece então um emissário do velho Camargo que lhe pediu o papel que o velho lhe deixara. Era um testamento que a tornava herdeira universal do avô. Lemos, mais que depressa, correu ao juizado de menores e arranjou sua nomeação para tutor de Aurélia, que não gostou, mas acabou aceitando.
          Começa para Aurélia uma nova vida em companhia de sua parenta D. Firmina Mascarenhas: frequentava a alta sociedade fluminense, era muito admirada e desejada por todos, a quem ela desprezava. Guardava porém uma vingança para Fernando, que a abandonara por trinta contos de réis.. Chamou seu tio e tutor e encarregou-o de oferecer cem contos de réis como dote a Fernando Seixas, para que se casasse com ela. Fernando mais que rapidamente aceitou, pedindo já um adiantamento de vinte contos de réis.
        Depois da apresentação e da conversação sobre vários assuntos, foi acertado o dia do casamento.
        Reuniu-se uma sociedade escolhida e pouco numerosa na casa de Aurélia para assistir ao casamento. Logo após a recepção, Lemos levou Seixas aos aposentos mostrando-lhe tudo o que lhe pertencia, inclusive as roupas. Depois, Seixas e Aurélia dirigiram-se à câmara nupcial e foi quando Aurélia lhe disse que o havia comprado muito caro e que o casamento de ambos só era válido perante a sociedade, pois ela o comprara assim como ele a havia trocado por trinta contos de réis. Seixas calou-se chocado e desiludido.
        Para os outros, tudo ia bem entre eles, mas, na intimidade, nada mudara. Aurélia tratava Seixas como um objeto qualquer da casa, humilhando-o perante outras pessoas. Fernando dedicava-se de corpo e alma ao serviço, fazendo negócios que lhe rendiam bom dinheiro.
          Aurélia sentia muitos ciúmes de Seixas, mas queria crer que era por orgulho e não por amor.
         Certo dia, voltando para casa a fim de pegar uns papéis, encontrou Aurélia conversando com Eduardo Abreu que havia falido e a quem Aurélia pretendia ajudar. Seixas foi aos seus aposentos, saindo depois pelos fundos.
         Na hora do jantar, perante o estranhamento de Aurélia em face da ausência do marido, a mucama disse-lhe que Fernando avisara que iria chegar mais tarde: Aurélia disfarçou sua preocupação.
         Já estavam jantando quando chega Fernando dizendo que desejava falar com Aurélia após o jantar; para isso dirigiram-se aos aposentos da senhora.  
         Fernando então lhe diz que se no momento da cerimônia tivesse tido os vinte contos que pedira adiantados, tudo já se teria resolvido. Porém, agora queria lhe restituir todo o dinheiro do dote e recuperar sua dignidade: se separariam como fazem dois contratantes de boa fé que, reconhecendo seu engano, se descobrem mutuamente. Pede então, a Aurélia que lhe devolva o papel, recibo de sua venda, entregando-lhe o dinheiro.  Quando Fernando se preparava para sair, Aurélia o deteve dizendo-lhe que o passado estava extinto e que durante aqueles onze meses eles tinham vivido contra seus próprios sentimentos, como dois estranhos. Ajoelhando-se diante do marido, lhe pede que aceite seu amor, amor que nunca deixara de ser dele, ainda quando mais cruelmente ofendida; aquela que o humilhara estava ali agora, abatida, implorando por seu amor. Seixas a ergueu e seus lábios se uniram, e diante do argumento de que a riqueza dela seria um empecilho, Aurélia lhe entrega um documento que escrevera logo após o casamento, documento este que declarava o imenso amor que sentia por ele, instituindo-o seu herdeiro universal. Fernando Seixas contempla com os olhos rasos de lágrimas sua amada Aurélia, sua inesquecível "Senhora".























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