segunda-feira, 22 de abril de 2019

Romantismo-Resumo de Obras Literárias



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A ESCRAVA ISAURA                                                                                                                                                           
                                                                                                (Autor-  Bernardo Guimarães)
          Conta a história sentimental de uma linda escrava, torturada por um senhor cruel e devasso, e que, afinal, é salva por um rico cavalheiro apaixonado pela sua formosura e bondade.
          Isaura não era uma escrava comum, criada na senzala, nem de cor negra. Filha de um feitor português com uma bela negra africana, era uma autêntica mulata clara, desses que hoje em dia ganham concursos femininos e até representam a beleza brasileira. O autor a apresenta nas primeiras páginas do livro, e a sua aparição se faz através de uma voz maviosa que canta cópias sentimentais de uma cativa suspirando pela liberdade. "Se não é sereia, somente uma anjo pode cantar assim". - diz o romancista, e leva o leitor à sala da fazenda, onde ela, sentada ao piano, canta embevecida. A descrição é opulenta de adjetivos e, ao gosto da época, exagerada. "Uma bela e nobre figura de moça", com "bastas madeixas negras", colo donoso e do mais puro lavor", de "encantadora simplicidade, porte esbelto, cintura delicada", e mais, parecia "uma Vênus nascendo da espuma do mar ou um anjo surgindo dentre brumas vaporosas".
        Realmente, a figura de Isaura pouco tinha de uma cativa. Era de traços finos e de pele morena, educada, cantava bem, tocava piano e fora criada pela senhora da fazenda com todo o carinho. Tais predicados, obviamente, não eram os de uma moça nascida nas senzalas do interior fluminense no século XIX. Talvez o autor, ao criá-la assim, quisesse equipará-la a qualquer moça da sociedade da época para fazer comover ainda mais os corações com sua história triste, que começa com a morte da sua protetora, sem ter formalizada a carta de alforria em seu favor, como prometia sempre.  Isaura passa então á posse do herdeiro, rapaz libertino e devasso. E aí começa a história.
          A história se passa numa grande fazenda fluminense, situada em Campos de Goitacases, hoje cidade de Campos. Isaura, pela sua beleza, desperta nos homens amor à primeira vista. Leôncio, o jovem senhor, devasso, mau, perdulário, quer forçá-la a se tornar sua amante. Henrique, seu cunhado, também a quer conquistar, e por outro lado, o jardineiro, um anão mostrengo e feio, personagem que faz lembrar o Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo, muito em voga na época, sonha casar-se com ela. Os dois primeiros a disputam, e Henrique revela à sua irmã Malvina estar o seu marido apaixonado pela escrava. A esposa abandona Leôncio, e este continua o assedio a Isaura, que o repele. Leôncio usa de todos os recursos, até a ameaça e a violência, mas ela não cede. O português Miguel, pai de Isaura e ex-feitor da fazenda, propõe comprar a liberdade dela por dez contos de réis. Leôncio recusa. Miguel trama então uma fuga e consegue viajar com a filha para Recife, onde passam a viver afastados de todos, com nomes falsos, para escapar à perseguição de Leôncio.
          Entra em cena na narrativa um novo personagem, o herói da história, um rico moço chamado Álvaro, que por ela se apaixona e um dia a convence a ir a um baile na alta sociedade recifense. No baile aparece um outro vilão, de nome Martinho, que reconhece Isaura pela descrição de um anúncio de "escravo fugido" que vira e recortara dos jornais do Rio, interessado nos dez contos de réis da recompensa pela captura. Álvaro tenta, com seu dinheiro, salvar Isaura, mas não consegue, e, após várias peripécias, Leôncio chega a Recife e traz Isaura com ele para a fazenda, e ainda Miguel para cumprir pena pelo rapto e fuga.
          Novo assédio, novas propostas são feitas a Isaura pelo senhor apaixonado, mas ela ainda não cede. Então Leôncio planeja vingar-se de maneira cruel. Manda pôr Isaura a ferros no tronco da senzala e lhe oferece a alternativa: continuar presa naquele instrumento de tortura para sempre ou aceitar a liberdade que ele lhe oferece com a condição de casar-se com Belchior, o anão feio e asqueroso. Desesperada, ela aceita o sacrifício para conseguir a liberdade, mas no dia das bodas, inesperadamente surge o herói Álvaro para salvá-la. É que, tendo, vindo ao Rio, soube da situação financeira de Leôncio, totalmente arruinado e cheio de dívidas. Resolveu comprar todas essas dívidas, tornando-se assim dono da fazenda e de todos os bens de Leôncio, inclusive de Isaura.
          Álvaro vai ser feliz com a linda ex-escrava, que passa a ser a dona de toda a fortuna de Leôncio, e este, desesperado, mete uma bala na cabeça.




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INOCÊNCIA


                                                                     ( Autor -  Visconde de Taunay)
          Num dia de inverno, o sol iluminava e aquecia uma estrada por onde um viajante cavalgava. Surge atrás dele, travando conversa, um menino conversador, chamado Pereira. Tendo o mesmo destino, caminharam juntos.
          O viajante se chamava Cirino e entendia muito de medicamentos; por isso era considerado "doutor".
          Pereira resolveu hospedá-lo em sua casa, aproveitando para deixar aos cuidados de Cirino sua filha Inocência, uma bela cabocla, que se achava doente e acamada. Inocência sentiu-se melhor em pouco tempo.
          Durante o tratamento nasceu entre Inocência e o curandeiro um imenso amor, proibido, todavia, porque a moça esperava o noivo Manecão, escolhido pelo pai.
          Numa noite chuvosa apareceu em casa de Pereira um alemão chamado Meyer e seu ajudante Juca. Trazia uma carta do irmão mais velho de Pereira, pedindo-lhe que atendesse o alemão como se fosse ele próprio.
          Meyer era um naturalista estudioso das borboletas. Devido aos elogios exagerados que Meyer faz à beleza de Inocência, Pereira, rígido e severo na moral, passa a desconfiar do hóspede. Meyer descobre um novo espécime de borboleta, a que chamou "Papillia Innocentia" em homenagem à bela filha do sertanejo. Pereira sente-se no dilema de cumprir, ou o dever de atender ao pedido do irmão, ou o de preservar a honra da família.
          Meyer parte e a chegada de Manecão deixa Inocência e Cirino aterrados. Cirino se desespera e sente que perderá Inocência. Sua amada lhe diz então ter um padrinho, a quem seu pai deve favores e atende. Se Antônio Cesário intercedesse por eles, Pereira talvez permitisse o seu romance.
          Imediatamente, Cirino foi à procura do padrinho de Inocência para que ele impedisse o casamento dela com Manecão. Avisado por Tico, um mudinho, que com sinais deu a entender o romance secreto. Manecão espera Cirino de tocaia e o assassina na estrada, fugindo em seguida. Inocência também morre logo depois, mas é imortalizada e revivida com o nome de borboleta: "Papillia Innocentia".

        



         




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